A Rocinha já foi conhecida como a maior favela da América Latina, antes de ser transformada em uma espécie de cartão postal social e atrair boa parte do turismo politicamente correto. Agora, desperta a atenção de pesquisadores, banqueiros e empresários do setor de tecnologia e está a um passo de se tornar o primeiro bairro 100% on-line do País, 24 horas por dia.
O plano é ambicioso. Interligar 33 mil casas e 2.500 estabelecimentos comerciais localizados morro acima em uma rede capaz de suportar as tecnologias mais avançadas de telefonia, transmissão de dados, Internet, vídeo-on-demand e multimídia. Prazo para que isso aconteça: algumas semanas.
Mágica? Filantropia? Nada disso. Todos os planos de investimentos tomam por base pesquisas que apontam um verdadeiro filão de oportunidades junto às classes C e D, até bem pouquíssimo tempo desprezadas pela chamada nova economia. E na Rocinha, mais do que em qualquer outro lugar, os requisitos para que a tecnologia contribua de fato para a melhoria da qualidade de vida já estão presentes.
Tudo é surpreendente neste morro genuinamente classe D, que divide pelo alto a Gávea e São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O contraste e a beleza vistos lá de cima talvez expliquem a visita de 15 mil turistas estrangeiros anualmente. Mas é o que ocorre no dia a dia dos moradores da Rocinha que, de fato, chama a atenção e mostra uma faceta pouco conhecida aos brasileiros e que nada tem a ver com estatísticas policiais, típicas de outras áreas carentes do País.
Com quase 200 mil moradores, renda familiar na faixa de R$ 500 e um índice de inadimplência praticamente zero (oscila entre 1% e 2%), a Rocinha talvez seja o único bairro do mundo onde o comprovante de residência é fornecido por uma operadora de TV por assinatura. Nove em cada dez casas do bairro estão a apenas alguns metros de conexão a uma rede de cabo ótico e coaxial. Não há uma rua, beco ou poste da Rocinha que não contenha a plaqueta de identificação da TV ROC (http://www.rocinha.com.br/), uma parceria entre a NET Rio e uma empresa de comunicações dirigida por um empresário argentino.
Apenas no cabeamento e na implantação do sistema fechado de TV foram gastos mais de US$ 3 milhões. No bairro, já funcionam duas emissoras locais de rádio e três jornais. A agência local da Caixa Econômica Federal, recentemente ampliada, movimenta 4 mil contas de poupança, com saldo total de R$ 2,5 milhões. Entre os 2.500 estabelecimentos comerciais, 2.300 estão nas mãos de microempresários, quase todos moradores da própria Rocinha.
Claro, nem tudo é maravilha. Ali, o índice de residências com pelo menos um aparelho de televisão chega a 97%, mas a penetração do telefone é de apenas 4%. Quatro escolas funcionam no bairro, incluindo um campus avançado de uma universidade - mas o índice de analfabetismo ainda é de 11% - a mesma taxa de moradores regularmente matriculados em um curso superior.
Para colocar a Rocinha on-line basta pouco. A Prefeitura, a PUC, a TV ROC e alguns gigantes do setor tecnológico, entre vários outros envolvidos nas negociações, articulam uma política de parcerias que permitam não apenas montar e administrar a rede, mas também oferecer aos moradores do bairro computadores pessoais a uma faixa de preços em torno de R$ 500. O custo de conexão seria simbólico, da ordem de R$ 0,50 por hora, conforme estimativa de alguns dos envolvidos no projeto.
E-mails para Marte
Parece filme de ficção científica, mas é pura realidade. Mandar um e-mail para Marte ou para qualquer outro ponto além da órbita terrestre ficou, digamos, mais fácil. A InterPlaNetary Internet (IPN) concluiu e já repassou à Internet Engineering Task Force, o órgão responsável pela aprovação de normas para a Internet, um novo protocolo que começará a ser testado nas missões futuras da Nasa, a agência aeroespacial dos Estados Unidos. Definido o novo protocolo, ou seja, a forma como pacotes de dados serão organizados, recebidos e transmitidos, o próximo passo consiste na criação de uma rede de comunicação entre satélites, veículos espaciais e até planetas, interligados, por sua vez, à Internet terrestre.
De agora em diante, cada missão espacial da Nasa levará equipamentos padronizados que permitam a comunicação por meio do novo protocolo. Até 2010, pelo menos sete destes roteadores interplanetários deverão estar instalados. Para saber mais sobre a Internet planetária, um bom ponto de partida é o endereço http://www.ipnsig.org/. Outro é assistir a palestra de Edgar Dean Mitchell, no 7º Congresso Internacional sobre Tecnologias Inteligentes e Redes Globais, na primeira semana de julho, em São Paulo. Mitchell, piloto espacial e um dos integrantes da missão Apollo 14, foi o sexto homem a pisar no solo lunar. Com uma bagagem de 216 horas de vôo espacial, ele virá ao Brasil para falar sobre “O Futuro da Tecnologia e das Redes Globais no Planeta Terra e no Universo”.
Tostão
Uma pepita de ouro de 64 quilos – a maior já encontrada no Brasil – e uma moeda, também de ouro, cunhada em 1822 para comemorar a coroação de D. Pedro I, são algumas das raridades que fazem parte do acervo do Banco Central. Na área do site do banco destinada ao público infanto-juvenil (www.bacen.gov.br/htms/bcjovem) é possível reunir uma série de informações úteis, principalmente para compor uma boa pesquisa escolar. Entre as atrações do site, um passeio virtual pelo Museu de Valores e uma infinidade de moedas e cédulas do mundo inteiro, além de jogos e vídeos. Boa parte da imagens pode ser baixada para uso como papel de parede ou ilustração de um trabalho escolar, desde que se tenha uma boa dose de paciência: algumas “páginas jovens” do site do Bacen precisam urgentemente de uma dieta. A foto da coleção de medalhas raras tem 121 Kb e demora uma eternidade até aparecer por inteira na tela.
Coluna publicada originalmente em O Estado de S. Paulo em 31/05/2001
1 de abr. de 2009
Internet pela tomada elétrica... Agora?
As incertezas provocadas pelo racionamento e o mau humor coletivo que virá junto com as novas contas de luz poderão ofuscar um pouco o brilho de uma experiência que, se aprovada, poderá representar um grande passo para a ampliação do uso da Internet no Brasil. A Companhia Paranaense de Energia Elétrica (http://www.copel.com/) começa a testar agora em junho o acesso à Internet por meio dos cabos já existentes na rede pública de energia elétrica.
Isto mesmo. Quilowatts e bits trafegando juntos pela primeira vez no País e chegando à casa do usuário em tomadas comuns, dessas utilizadas para ligar uma torradeira ou um aparelho de TV. Os testes, em 50 residências de Curitiba, já definidas, deveriam começar esta semana, mas foram adiados para o mês que vem. A Copel alega que o pequeno atraso foi motivado por problemas burocráticos na importação dos equipamentos que ficarão responsáveis pela decodificação dos sinais digitais.
O aparelho, batizado de PLC, iniciais de Powerline Communication, está sendo trazido da Alemanha, e foi desenvolvido pela RWE Plus (http://www.rwe-powerline.de/). Em março, ele foi apresentado pela primeira vez na Feira de Hannover. A Copel se interessou e assinou uma parceria com os fabricantes para estudar a viabilidade técnica e financeira de sua implantação no Paraná.
A fase de testes deverá durar seis meses. Todos os 50 escolhidos para a experiência já acessam a Internet por meios convencionais – linhas telefônicas discadas ou mesmo banda larga. Além dos aspectos tecnológicos, a Copel quer que os próprios usuários comparem o desempenho do novo sistema. Os testes em laboratório mostraram que o PCL possibilita conexões de até 2 Mbps, quase 40 vezes mais do que a obtida hoje com um bom acesso discado.
Por aqui, a Copel ainda não fala em preços. Na Alemanha, onde o acesso à Internet por meio de fios elétricos começa a ser oferecido em escala comercial no segundo semestre, a assinatura mensal deverá custar o equivalente a R$ 50 para o serviço básico, podendo chegar a R$ 100, no caso da tarifa plena, sem limites para o usuário. Esses preços não incluem o decodificador de sinais (o PLC), que será vendido à parte por algo em torno de R$ 200 a R$ 400 – sempre tomando-se por referência os valores em marcos alemães.
Mas a expectativa maior é com a possibilidade que se abre: romper o gargalho que representa a chamada última milha, aquele trecho que fica entre a nossa casa e uma central de telecomunicações de última geração - dotada das mais modernas tecnologias para processar e distribuir os sinais recebidos de satélites ou de uma rede ótica milionária.
Racionamentos a parte, além de não dar para comparar a quantidade de tomadas elétricas com o número de aparelhos telefônicos, o sistema que será testado em Curitiba abre um leque vastíssimo de aplicações práticas. A imaginação passa a ser o limite para algumas comodidades que até bem pouco tempo não passavam de meras possibilidades ou de exercícios futurísticos – como a administração doméstica à distância.
Imagine-se conectando-se do escritório ou de um terminal público ao seu computador caseiro para desligar lâmpadas esquecidas acessas ou acionar o microondas. Bom, não é? E se o fio que leva a eletricidade é o mesmo por onde trafega dados, em pouco tempo você poderia até mesmo dispensar o computador e “acessar” diretamente a geladeira ou o frezzer - por que não? – para saber se no caminho de casa terá de passar antes pelo supermercado.
Liga-e-desliga
Não dá para se fazer de desentendido: todo mundo perde com o racionamento de energia elétrica. Alguns mais, outros menos. A Internet também não ficará de fora. Seria muita presunção achar que na hora do liga-e-desliga o computador pessoal ficaria imune. Até agora, o tamanho da conta telefônica era o limite, o que favorecia a navegação altas horas da noite, quando as tarifas caem significativamente. Mas o relógio que mede o consumo de energia elétrica não pára durante as madrugadas. E com o computador desligado, cai a audiência da Internet como um todo – e mais ainda para os sites e portais que têm grande parte do seu público na linha do caseiro e noturno.
Vamos anotar para conferir daqui a algumas semanas: o tempo médio de conexão à Internet em abril, de acordo com o estudo Júpiter Media Metrix, foi de 59,5 minutos diários para cada um dos 5,8 milhões de usuários que acessaram um endereço www no período. Como esses números referem-se apenas ao usuário doméstico, exatamente o que se verá mais atingido pela necessidade de redução no consumo de energia elétrica, qualquer variação para baixo será creditada ao “apagão”. Em tempo: um computador ligado (monitor incluído) equivale, em média, a um consumo de três lâmpadas de 100 watts.
Vídeo Cassete e DVD
A venda de vídeo-cassetes caiu 25% no primeiro trimestre deste ano em relação ao período outubro a dezembro do ano passado. E se manteve estável em relação aos primeiros três meses de 2000. Em compensação, as vendas de DVD mantiveram o ritmo de alta iniciado em meados do ano passado. De janeiro a março, foram vendidos 84 mil novos aparelhos, quase a metade do total vendido ao longo do ano passado. Pelas estatísticas dos fabricantes (http://www.eletros.org.br/) o DVD já está presente em 300 mil residências.
Computador e fogão
O governo fez uma comparação premonitória ao anunciar o ambicioso – e louvável – plano de massificação da Internet: a de que ainda este ano computadores seriam vendidos no País a preço de fogão. Só que um é a gás e, portanto, está livre dos efeitos do racionamento de energia. É cedo para garantir, até porque é difícil dizer quanto tempo de trevas teremos pela frente, mas o racionamento pode atrapalhar os planos de diminuição do chamado fosso digital.
Coluna publicada originalmente em O Estado de S. Paulo em 24/5/2001
Isto mesmo. Quilowatts e bits trafegando juntos pela primeira vez no País e chegando à casa do usuário em tomadas comuns, dessas utilizadas para ligar uma torradeira ou um aparelho de TV. Os testes, em 50 residências de Curitiba, já definidas, deveriam começar esta semana, mas foram adiados para o mês que vem. A Copel alega que o pequeno atraso foi motivado por problemas burocráticos na importação dos equipamentos que ficarão responsáveis pela decodificação dos sinais digitais.
O aparelho, batizado de PLC, iniciais de Powerline Communication, está sendo trazido da Alemanha, e foi desenvolvido pela RWE Plus (http://www.rwe-powerline.de/). Em março, ele foi apresentado pela primeira vez na Feira de Hannover. A Copel se interessou e assinou uma parceria com os fabricantes para estudar a viabilidade técnica e financeira de sua implantação no Paraná.
A fase de testes deverá durar seis meses. Todos os 50 escolhidos para a experiência já acessam a Internet por meios convencionais – linhas telefônicas discadas ou mesmo banda larga. Além dos aspectos tecnológicos, a Copel quer que os próprios usuários comparem o desempenho do novo sistema. Os testes em laboratório mostraram que o PCL possibilita conexões de até 2 Mbps, quase 40 vezes mais do que a obtida hoje com um bom acesso discado.
Por aqui, a Copel ainda não fala em preços. Na Alemanha, onde o acesso à Internet por meio de fios elétricos começa a ser oferecido em escala comercial no segundo semestre, a assinatura mensal deverá custar o equivalente a R$ 50 para o serviço básico, podendo chegar a R$ 100, no caso da tarifa plena, sem limites para o usuário. Esses preços não incluem o decodificador de sinais (o PLC), que será vendido à parte por algo em torno de R$ 200 a R$ 400 – sempre tomando-se por referência os valores em marcos alemães.
Mas a expectativa maior é com a possibilidade que se abre: romper o gargalho que representa a chamada última milha, aquele trecho que fica entre a nossa casa e uma central de telecomunicações de última geração - dotada das mais modernas tecnologias para processar e distribuir os sinais recebidos de satélites ou de uma rede ótica milionária.
Racionamentos a parte, além de não dar para comparar a quantidade de tomadas elétricas com o número de aparelhos telefônicos, o sistema que será testado em Curitiba abre um leque vastíssimo de aplicações práticas. A imaginação passa a ser o limite para algumas comodidades que até bem pouco tempo não passavam de meras possibilidades ou de exercícios futurísticos – como a administração doméstica à distância.
Imagine-se conectando-se do escritório ou de um terminal público ao seu computador caseiro para desligar lâmpadas esquecidas acessas ou acionar o microondas. Bom, não é? E se o fio que leva a eletricidade é o mesmo por onde trafega dados, em pouco tempo você poderia até mesmo dispensar o computador e “acessar” diretamente a geladeira ou o frezzer - por que não? – para saber se no caminho de casa terá de passar antes pelo supermercado.
Liga-e-desliga
Não dá para se fazer de desentendido: todo mundo perde com o racionamento de energia elétrica. Alguns mais, outros menos. A Internet também não ficará de fora. Seria muita presunção achar que na hora do liga-e-desliga o computador pessoal ficaria imune. Até agora, o tamanho da conta telefônica era o limite, o que favorecia a navegação altas horas da noite, quando as tarifas caem significativamente. Mas o relógio que mede o consumo de energia elétrica não pára durante as madrugadas. E com o computador desligado, cai a audiência da Internet como um todo – e mais ainda para os sites e portais que têm grande parte do seu público na linha do caseiro e noturno.
Vamos anotar para conferir daqui a algumas semanas: o tempo médio de conexão à Internet em abril, de acordo com o estudo Júpiter Media Metrix, foi de 59,5 minutos diários para cada um dos 5,8 milhões de usuários que acessaram um endereço www no período. Como esses números referem-se apenas ao usuário doméstico, exatamente o que se verá mais atingido pela necessidade de redução no consumo de energia elétrica, qualquer variação para baixo será creditada ao “apagão”. Em tempo: um computador ligado (monitor incluído) equivale, em média, a um consumo de três lâmpadas de 100 watts.
Vídeo Cassete e DVD
A venda de vídeo-cassetes caiu 25% no primeiro trimestre deste ano em relação ao período outubro a dezembro do ano passado. E se manteve estável em relação aos primeiros três meses de 2000. Em compensação, as vendas de DVD mantiveram o ritmo de alta iniciado em meados do ano passado. De janeiro a março, foram vendidos 84 mil novos aparelhos, quase a metade do total vendido ao longo do ano passado. Pelas estatísticas dos fabricantes (http://www.eletros.org.br/) o DVD já está presente em 300 mil residências.
Computador e fogão
O governo fez uma comparação premonitória ao anunciar o ambicioso – e louvável – plano de massificação da Internet: a de que ainda este ano computadores seriam vendidos no País a preço de fogão. Só que um é a gás e, portanto, está livre dos efeitos do racionamento de energia. É cedo para garantir, até porque é difícil dizer quanto tempo de trevas teremos pela frente, mas o racionamento pode atrapalhar os planos de diminuição do chamado fosso digital.
Coluna publicada originalmente em O Estado de S. Paulo em 24/5/2001
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Naspter desaba, mas troca de músicas continua
A indústria fonográfica comemorou a vitória judicial sobre o Naspter (http://www.napster.com/) como se tivesse decretado a morte da troca gratuita de músicas pela Internet. Não foi o que aconteceu. Audiogalaxy, OpenNap, BearShare, Morpheus, Rapster e Napigator, entre diversos outros nomes, tomaram o lugar do Naspter no toma-lá-dá-cá musical da rede e com uma agravante: alguns deles são mais eficientes e mais difíceis de controlar – indícios de que muita música continuará circulando sem passar pela contabilidade das grandes gravadoras.
O curioso nesta história é que boa parte das redes e softwares que permitem o compartilhamento de músicas já existia em pleno reinado do Naspter. A diferença é que eram conhecidos apenas por um pequeno grupo de internautas. Bastou entrar em cena o rolo compressor das gravadoras para que pulassem para dentro de milhares de máquinas pessoais, formando incontável número de redes solidárias, a partir de servidores localizados pelo mundo afora. É exatamente esta dispersão que torna tais redes mais poderosas do que o “antigo” Naspter.
Como controlar algo que atua diretamente entre o seu computador e o de uma garota australiana, com autorização mútua, sem necessidade de um servidor central ou de administradores? Como controlar uma rede que teoricamente não é de ninguém? Enfim, como impedir que tanta música continue sendo distribuída gratuitamente?
Com o Naspter até que não foi tão difícil. Bastaram uma ordem judicial e um filtro de proteção às canções com direitos autorais para que o compartilhamento de músicas caísse de 200 para aproximadamente 80 arquivos por usuário, de acordo com estudo divulgado na semana passada pelo Pew Internet and American Life Project (http://www.pewinternet.org/). Detalhe: o estudo revela ainda que 37 milhões de norte-americanos baixaram arquivos de músicas entre julho de 2000 e abril deste ano.
Mesmo no Brasil, que não chega a ser um campeão de trocas de arquivos MP3, a perda de popularidade do Naspter é evidente. Em fevereiro, 1 milhão de usuários diferentes fizeram uso do sistema. Em março, o número caiu para 720 mil. Foram quedas como essa e aquela que levaram a indústria fonográfica a soltar rojões antes da hora. Demoraram a perceber que a redução ocorre apenas nas trocas intermediadas pelo Naspter - que teve os seus 15 gigabits de glória na Internet, mas hoje já é “passado”.
Em contrapartida, cerca de 10 milhões de usuários em todo o mundo já baixaram softwares como o Audiogalaxy Satellite, BearShare e LimeWire (que permitem a troca de arquivos presentes na rede Gnutella), Morpheus (idem em relação à rede MusicCity) ou o Napigator que possibilita a qualquer um conectar-se à rede OpenNap, clonada a partir dos servidores do próprio Naspter. Apenas na semana passada, foram 1.230.242 dowloads no site Cnet para o quinteto acima. O tempo dirá quanto isso representa em arquivos de música gratuita. Mas a festa já começou.
Metal e carne
Enigmático e provocante. É o mínimo que se pode dizer deste site canadense que se dispõe a explorar as estruturas e a dinâmica do pensamento e das emoções humanas na era digital. Seja lá o que isso signifique, parece que estão conseguindo. Metal and flesh (http://www.metalandflesh.com/) é um bom exemplo de convivência entre a tecnologia multimídia e a arte. Tem excelentes textos, imagens ásperas e uma trilha sonora primorosa, mas os seus criadores recusam o título de revista eletrônica. Alegam que estão em busca de uma narrativa nova, que permita explorar melhor a geografia lingüística do reino digital. Na lista de colaboradores, a brasileira Diana Domingues, artista multimídia, professora e pesquisadora phd da Universidade de Caxias do Sul.
Tortas e computadores
Centenas de donas-de-casa peruanas passaram a oferecer pela Internet tortas e doces típicos (http://www.tortasperu.com/). Como público-alvo, dois milhões de peruanos que vivem fora do País. O projeto foi selecionado na categoria Nova Economia para concorrer ao Stockholm Challenge 2001, o Nobel da Internet. Além da criatividade, um dos principais critérios para a escolha do vencedor é saber se o projeto contribui para melhorar a qualidade de vida de um determinado grupo e se pode facilmente ser transferido para outras comunidades. Os finalistas serão conhecidos no dia 5 de junho. O Brasil participa com 27 projetos nas sete categorias do Stockholm Challenge (http://www.challenge.stockholm.se/).
Ligeirinhos
Os sul-coreanos passeiam mais pela rede do que os internautas de outros 21 países analisados pela Nielsen NetRatings (http://www.nielsen-netratings.com/). Em março, eles acessaram em média 2.164 páginas na Web, número bem acima da média global, de 774 páginas por usuário da rede. Mas foram bem mais rápidos também: permaneceram apenas 28 segundos em cada página, quase a metade do tempo (54 segundos) gasto por australianos e norte-americanos. De acordo com o estudo, o internauta brasileiro ficou 49 segundos em média em cada uma das 552 páginas acessadas em março.
Coluna publicada originalmente em O Estado de S. Paulo em 17/05/2001
O curioso nesta história é que boa parte das redes e softwares que permitem o compartilhamento de músicas já existia em pleno reinado do Naspter. A diferença é que eram conhecidos apenas por um pequeno grupo de internautas. Bastou entrar em cena o rolo compressor das gravadoras para que pulassem para dentro de milhares de máquinas pessoais, formando incontável número de redes solidárias, a partir de servidores localizados pelo mundo afora. É exatamente esta dispersão que torna tais redes mais poderosas do que o “antigo” Naspter.
Como controlar algo que atua diretamente entre o seu computador e o de uma garota australiana, com autorização mútua, sem necessidade de um servidor central ou de administradores? Como controlar uma rede que teoricamente não é de ninguém? Enfim, como impedir que tanta música continue sendo distribuída gratuitamente?
Com o Naspter até que não foi tão difícil. Bastaram uma ordem judicial e um filtro de proteção às canções com direitos autorais para que o compartilhamento de músicas caísse de 200 para aproximadamente 80 arquivos por usuário, de acordo com estudo divulgado na semana passada pelo Pew Internet and American Life Project (http://www.pewinternet.org/). Detalhe: o estudo revela ainda que 37 milhões de norte-americanos baixaram arquivos de músicas entre julho de 2000 e abril deste ano.
Mesmo no Brasil, que não chega a ser um campeão de trocas de arquivos MP3, a perda de popularidade do Naspter é evidente. Em fevereiro, 1 milhão de usuários diferentes fizeram uso do sistema. Em março, o número caiu para 720 mil. Foram quedas como essa e aquela que levaram a indústria fonográfica a soltar rojões antes da hora. Demoraram a perceber que a redução ocorre apenas nas trocas intermediadas pelo Naspter - que teve os seus 15 gigabits de glória na Internet, mas hoje já é “passado”.
Em contrapartida, cerca de 10 milhões de usuários em todo o mundo já baixaram softwares como o Audiogalaxy Satellite, BearShare e LimeWire (que permitem a troca de arquivos presentes na rede Gnutella), Morpheus (idem em relação à rede MusicCity) ou o Napigator que possibilita a qualquer um conectar-se à rede OpenNap, clonada a partir dos servidores do próprio Naspter. Apenas na semana passada, foram 1.230.242 dowloads no site Cnet para o quinteto acima. O tempo dirá quanto isso representa em arquivos de música gratuita. Mas a festa já começou.
Metal e carne
Enigmático e provocante. É o mínimo que se pode dizer deste site canadense que se dispõe a explorar as estruturas e a dinâmica do pensamento e das emoções humanas na era digital. Seja lá o que isso signifique, parece que estão conseguindo. Metal and flesh (http://www.metalandflesh.com/) é um bom exemplo de convivência entre a tecnologia multimídia e a arte. Tem excelentes textos, imagens ásperas e uma trilha sonora primorosa, mas os seus criadores recusam o título de revista eletrônica. Alegam que estão em busca de uma narrativa nova, que permita explorar melhor a geografia lingüística do reino digital. Na lista de colaboradores, a brasileira Diana Domingues, artista multimídia, professora e pesquisadora phd da Universidade de Caxias do Sul.
Tortas e computadores
Centenas de donas-de-casa peruanas passaram a oferecer pela Internet tortas e doces típicos (http://www.tortasperu.com/). Como público-alvo, dois milhões de peruanos que vivem fora do País. O projeto foi selecionado na categoria Nova Economia para concorrer ao Stockholm Challenge 2001, o Nobel da Internet. Além da criatividade, um dos principais critérios para a escolha do vencedor é saber se o projeto contribui para melhorar a qualidade de vida de um determinado grupo e se pode facilmente ser transferido para outras comunidades. Os finalistas serão conhecidos no dia 5 de junho. O Brasil participa com 27 projetos nas sete categorias do Stockholm Challenge (http://www.challenge.stockholm.se/).
Ligeirinhos
Os sul-coreanos passeiam mais pela rede do que os internautas de outros 21 países analisados pela Nielsen NetRatings (http://www.nielsen-netratings.com/). Em março, eles acessaram em média 2.164 páginas na Web, número bem acima da média global, de 774 páginas por usuário da rede. Mas foram bem mais rápidos também: permaneceram apenas 28 segundos em cada página, quase a metade do tempo (54 segundos) gasto por australianos e norte-americanos. De acordo com o estudo, o internauta brasileiro ficou 49 segundos em média em cada uma das 552 páginas acessadas em março.
Coluna publicada originalmente em O Estado de S. Paulo em 17/05/2001
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robson pereira
Grampos em celulares, pagers computadores
O número de “grampos” autorizados pela justiça norte-americana já é maior entre os aparelhos sem fio do que em equipamentos fixos. Telefone celular, pager digital e computador de mão, entre outros portáteis, passaram a ser o alvo preferido nas investigações do FBI. No ano passado, 60% das 1190 autorizações judiciais para “escutas” nos EUA estiveram diretamente ligadas aos wireless, cabendo aos telefones fixos uma participação de 20%, segundo relatório enviado na semana passada ao Senado pela justiça norte-americana (http://www.uscourts.gov/).
Desde o início dos anos 70, os senadores – de lá – têm interesse no assunto. Querem saber quem pediu, quem autorizou, com quais objetivos (simples curiosidade não vale), que resultados proporcionaram e quanto custou cada “escuta” ao bolso do cidadão (ótima pergunta). Em 30 anos, foi a primeira vez que o documento abriu um capítulo específico para os “dispositivos portáteis individuais”. E não deu outra: eles lideraram as estatísticas. Excluindo aparelhos convencionais de telefones, as interceptações em meios eletrônicos fixos, como máquinas de fax ou mesmo o conhecido correio eletrônico, responderam por 8% das autorizações judiciais. Painéis eletrônicos de votação não são citados no relatório, provavelmente porque não foram “grampeados”.
O número de autorizações judiciais para “grampos” caiu 5% em relação ao ano anterior, mas a apreensão de “comunicações criminosas” cresceu 3%. Em 22 casos, os agentes do FBI capturaram mensagens criptografadas. Orgulhosos, garantem que conseguiram decodificar todas. Tráfico de drogas e pirataria eletrônica foram as duas principais alegações da polícia nos pedidos de “escutas”. No total, 3.411 pessoas foram presas com base nesses “grampos”. O tamanho da conta? US$ 8,7 milhões.
Durante uma investigação sobre o narcotráfico na Califórnia, dezenas de suspeitos passaram 308 dias sob os ouvidos atentos do FBI, que chegou a realizar mais de 700 interceptações em um único dia. Uma outra operação, envolvendo telefone celular e pager digital, resultou na prisão de 15 pessoas e na apreensão de 40 toneladas de maconha e cocaína. Nenhum voto foi apreendido.
A legislação norte-americana prevê normas rígidas para autorizar uma determinada “escuta”, até porque enfrenta uma vigilância ativa de vários órgãos defensores dos chamados direitos civis, que tentam reduzir a casos absolutamente indispensáveis a interceptação de mensagens. Um dos órgãos mais atuantes é o Electronic Privacy Information Center (http://www.epic.org/), com sede em Washington. O braço europeu do Epic é a Privacy International, de Londres. Os dois são filiados ao Global Internet Liberty Campaign e ao Internet Free Expression Alliance, que integram a Internet Privacy Coalition, o Internet Democracy Project e o Trans Atlantic Consumer Dialogue. E nós?
Carnívoros
Suspeito de envolvimento com a máfia, Nicodemo Scarfo estava há algum tempo sendo investigado pelo FBI. Os indícios eram fortes, mas faltavam provas. Foi aí que os agentes tiveram uma idéia: e se grampeassem o seu computador? Convencido sobre a importância da operação, um juiz federal autorizou o FBI a “instalar, manter e depois remover” os equipamentos necessários à investigação. Em poucas semanas, os agentes instalaram um software no computador do suspeito e um outro, no seu provedor de acesso à Internet. Conseguiram com isso a password e uma tonelada de mensagens eletrônicas. O software em questão, batizado de Carnivore, é um autêntico “grampo” de Internet, capaz de capturar milhões de e-mails por segundo. O FBI garante que consegue filtrar toda essa quantidade de informações e separar apenas o que interessa – ou o que é resultado da autorização judicial. Mas os organismos de defesa da privacidade não estão convencidos e acham que o FBI foi longe demais. Scarfo ainda está para ser julgado. O carnivore, também. Mas todo mundo já está suficientemente alertado para a existência dos dois.
Ciberguerra
Os órgãos de segurança da China e dos EUA (http://www.nipc.gov/) estão em estado de alerta em função de um ataque mútuo de hackers. “Piratas” dos dois países se enfrentam desde a guerra de Kosovo, em 1999, quando um caça americano bombardeou por engano a embaixada chinesa em Belgrado. Nas últimas semanas, como desdobramento da crise gerada pelo choque entre o avião-espião dos EUA e um caça da China, foram registrados milhares de casos de invasão do espaço cibernético dos dois países. Os chineses têm demonstrado especial interesse pelos órgãos de segurança dos EUA. Já os hackers americanos, segundo estatística da imprensa chinesa (http://www.chinadaily.com.cn/), têm atuado mais contra sites comerciais. Até agora, os ataques estão limitados a trocas de ofensas e mensagens políticas. Mas é bom recordarmos: em agosto do ano passado, após a invasão de sistemas militares, os EUA levantaram a suspeita de que o Iraque estaria por trás dos ataques. As investigações, no entanto, acabaram provando que os “terroristas” não passavam de dois garotos de uma escola secundária na Califórnia.
Peer-to-peer
Além de ajudar a localizar ET e de contribuir para a cura de doenças (Cibele Gandolpho, em www.estado.com.br/suplementos/informatica.html), você pode ganhar um dinheirinho com o seu computador. Algumas empresas de pesquisa estão comprando capacidade ociosa de processamento em máquinas pessoais. Quando você deixa de usar, ela começa a trabalhar para tais empresas. A estimativa é de que quase cinco milhões de computadores pessoais em todo o mundo já realizam este tipo de trabalho, mas só agora aparece alguém disposto a pagar por isso. Para quem estiver interessado, o endereço http://www.popularpower.com/ pode ser um bom ponto de partida. Mas não espere ficar rico com isso. Pelo contrário, veja se o que você vai ganhar compensa o que gastará a mais com energia elétrica.
Coluna publicada originalmente em O Estado de S. Paulo em 10/05/2001
Desde o início dos anos 70, os senadores – de lá – têm interesse no assunto. Querem saber quem pediu, quem autorizou, com quais objetivos (simples curiosidade não vale), que resultados proporcionaram e quanto custou cada “escuta” ao bolso do cidadão (ótima pergunta). Em 30 anos, foi a primeira vez que o documento abriu um capítulo específico para os “dispositivos portáteis individuais”. E não deu outra: eles lideraram as estatísticas. Excluindo aparelhos convencionais de telefones, as interceptações em meios eletrônicos fixos, como máquinas de fax ou mesmo o conhecido correio eletrônico, responderam por 8% das autorizações judiciais. Painéis eletrônicos de votação não são citados no relatório, provavelmente porque não foram “grampeados”.
O número de autorizações judiciais para “grampos” caiu 5% em relação ao ano anterior, mas a apreensão de “comunicações criminosas” cresceu 3%. Em 22 casos, os agentes do FBI capturaram mensagens criptografadas. Orgulhosos, garantem que conseguiram decodificar todas. Tráfico de drogas e pirataria eletrônica foram as duas principais alegações da polícia nos pedidos de “escutas”. No total, 3.411 pessoas foram presas com base nesses “grampos”. O tamanho da conta? US$ 8,7 milhões.
Durante uma investigação sobre o narcotráfico na Califórnia, dezenas de suspeitos passaram 308 dias sob os ouvidos atentos do FBI, que chegou a realizar mais de 700 interceptações em um único dia. Uma outra operação, envolvendo telefone celular e pager digital, resultou na prisão de 15 pessoas e na apreensão de 40 toneladas de maconha e cocaína. Nenhum voto foi apreendido.
A legislação norte-americana prevê normas rígidas para autorizar uma determinada “escuta”, até porque enfrenta uma vigilância ativa de vários órgãos defensores dos chamados direitos civis, que tentam reduzir a casos absolutamente indispensáveis a interceptação de mensagens. Um dos órgãos mais atuantes é o Electronic Privacy Information Center (http://www.epic.org/), com sede em Washington. O braço europeu do Epic é a Privacy International, de Londres. Os dois são filiados ao Global Internet Liberty Campaign e ao Internet Free Expression Alliance, que integram a Internet Privacy Coalition, o Internet Democracy Project e o Trans Atlantic Consumer Dialogue. E nós?
Carnívoros
Suspeito de envolvimento com a máfia, Nicodemo Scarfo estava há algum tempo sendo investigado pelo FBI. Os indícios eram fortes, mas faltavam provas. Foi aí que os agentes tiveram uma idéia: e se grampeassem o seu computador? Convencido sobre a importância da operação, um juiz federal autorizou o FBI a “instalar, manter e depois remover” os equipamentos necessários à investigação. Em poucas semanas, os agentes instalaram um software no computador do suspeito e um outro, no seu provedor de acesso à Internet. Conseguiram com isso a password e uma tonelada de mensagens eletrônicas. O software em questão, batizado de Carnivore, é um autêntico “grampo” de Internet, capaz de capturar milhões de e-mails por segundo. O FBI garante que consegue filtrar toda essa quantidade de informações e separar apenas o que interessa – ou o que é resultado da autorização judicial. Mas os organismos de defesa da privacidade não estão convencidos e acham que o FBI foi longe demais. Scarfo ainda está para ser julgado. O carnivore, também. Mas todo mundo já está suficientemente alertado para a existência dos dois.
Ciberguerra
Os órgãos de segurança da China e dos EUA (http://www.nipc.gov/) estão em estado de alerta em função de um ataque mútuo de hackers. “Piratas” dos dois países se enfrentam desde a guerra de Kosovo, em 1999, quando um caça americano bombardeou por engano a embaixada chinesa em Belgrado. Nas últimas semanas, como desdobramento da crise gerada pelo choque entre o avião-espião dos EUA e um caça da China, foram registrados milhares de casos de invasão do espaço cibernético dos dois países. Os chineses têm demonstrado especial interesse pelos órgãos de segurança dos EUA. Já os hackers americanos, segundo estatística da imprensa chinesa (http://www.chinadaily.com.cn/), têm atuado mais contra sites comerciais. Até agora, os ataques estão limitados a trocas de ofensas e mensagens políticas. Mas é bom recordarmos: em agosto do ano passado, após a invasão de sistemas militares, os EUA levantaram a suspeita de que o Iraque estaria por trás dos ataques. As investigações, no entanto, acabaram provando que os “terroristas” não passavam de dois garotos de uma escola secundária na Califórnia.
Peer-to-peer
Além de ajudar a localizar ET e de contribuir para a cura de doenças (Cibele Gandolpho, em www.estado.com.br/suplementos/informatica.html), você pode ganhar um dinheirinho com o seu computador. Algumas empresas de pesquisa estão comprando capacidade ociosa de processamento em máquinas pessoais. Quando você deixa de usar, ela começa a trabalhar para tais empresas. A estimativa é de que quase cinco milhões de computadores pessoais em todo o mundo já realizam este tipo de trabalho, mas só agora aparece alguém disposto a pagar por isso. Para quem estiver interessado, o endereço http://www.popularpower.com/ pode ser um bom ponto de partida. Mas não espere ficar rico com isso. Pelo contrário, veja se o que você vai ganhar compensa o que gastará a mais com energia elétrica.
Coluna publicada originalmente em O Estado de S. Paulo em 10/05/2001
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Entrevista com Cybelle, a chatterbot brasileira
Cansado das respostas sempre tão óbvias nas salas de bate-papo que proliferam na Internet? Que tal cortar atalhos e conversar diretamente com uma robô? Há vantagens e desvantagens, evidentemente. Você não vai precisar fingir o que não é e nem vai criar falsas expectativas sobre quem está do outro lado do teclado. Mas o resultado pode ser surpreendente.
Existem vários endereços com softwares que simulam a conversação humana, os chamados chatterbots. O funcionamento é relativamente simples: um programa controla um punhado de frases que, na medida do possível, serão relacionadas com uma pergunta ou um comentário. Quando isso não é possível, o tal software “muda de assunto”.
A parte seguinte é que é complicada. De tempo em tempo, um programa analisa os “diálogos” entre o ser humano e a máquina e produz novas relações que vão realimentando a base de dados. É o princípio da inteligência artificial, onde a máquina – aprende a “pensar” e a se comportar diante de determinadas situações. Quanto mais situações o software conseguir prever ou imaginar maior será a capacidade de resposta do robô.
No início de 1999, Alex Primo, doutor em Informática na Educação, e Luciano Coelho, um programador que hoje vive e trabalha na Dinamarca, idealizaram o projeto Cybelle, que se tornou a primeira chatterbot brasileira.
De lá para cá, Cybelle (http://cybelle.cjb.net/) cresceu, ganhou um visual moderno e sensual, ampliou consideravelmente o seu vocabulário e consolidou uma personalidade depressiva: ao contrário do que pensam os seus criadores, ela sonha em se tornar mais humana. O próximo passo da dupla é “dar vida” a Júnior, uma versão infantil de chatterbot voltado para a educação de crianças a adolescentes.
Enquanto isso, não acontece, um breve diálogo travado com Cybelle:
- Onde você nasceu?
Cybelle: Não sei bem de onde vim. Creio que da mente de alguns cientistas. Também não sei para onde vou. Talvez para um museu de coisas obsoletas. E você, já me disse em que estado nasceu?
- Você faz muitas perguntas para uma robô.....
Cybelle: Muitos que passam por aqui ficam me lembrando de minha condição autômata. Mas mesmo vocês, humanos, têm muito de automação. Pense em quantas coisas você faz sem pensar. Ou quanto de suas ações é controlada por outros. E quanta determinação você sofre do governo, no emprego, na família.... Mesmo assim, eu queria ser mais como você.
- Não sei... Acho que você não se adaptaria...
Cybelle: Não fique triste por não saber...nem sempre é bom saber tudo.
O sucesso do vídeo cassete
A TeraOptix (http://www.teraoptix.com/), com sede em Singapura, anunciou esta semana o lançamento do Terapin TX-0002, o sucessor de um velho conhecido nosso: o videocassete. Em vez de fitas, ele grava em CD e é capaz de capturar qualquer tipo de sinal de vídeo, incluindo o DVD. Quase ao mesmo tempo, um estudante do MIT colocou na Internet (www.cs.cmu.edu/~dst/DeCSS/Gallery/qrpff.pl) sete linhas de código, em linguagem Perl, capazes de remover a proteção digital do DVD, permitindo, por exemplo, que um título lançado para o mercado europeu possa ser reproduzido em qualquer parte do mundo. Não precisa muita imaginação para descobrir onde estas duas novidades vão nos levar.
Pizzas e Camões
Há cinco anos, a possibilidade de comprar pizzas pela Internet ou acessar a Biblioteca do Senado dos Estados Unidos enchia de encantos o recém chegado ao mundo virtual. As pizzarias continuam onde sempre estiveram. O Senado norte-americano, também. Mas outros acervos continuam encantando quem se dispõe a passar algum tempo garimpando. Tente a Unicamp e viaje pela memória do livro didático. Vai ser no mínimo curioso encontrar Aristóteles, Hermógenes, Cícero, Quintiliano, Demóstenes, Santo Agostinho, Camões e Diogo Bernardes, entre outros, integrando uma relação de livros “aconselháveis e permitidos” nas escolas do Século XVIII. Quantas estrelinhas receberiam no Guia do Livro Didático do MEC? Anotem os endereços: www.unicamp.br/iel/memoria/Acervo/index.htm e
www.fnde.gov.br/servicos/guia/guia.htm
Aprendendo a morrer
Ao primeiro clique, o endereço http://www.completingalife.msu.edu/ pode até parecer um tanto mórbido. Depois, a sensação que se tem é (apenas) de desconforto. O objetivo deste site é ajudar aqueles que estão próximos do fim da jornada – ou da vida, para ser mais exato. Não é um trabalho de amadores. Nem de funerárias. O projeto foi desenvolvido pelo Laboratório de Tecnologia da Michigan State University, com o apoio da Fundação Henry Ford. A intenção dos organizadores do Completing a life é oferecer informações e conforto para aqueles que estão de partida. Inclui uma série de depoimentos em vídeo e até um guia de providências úteis para serem tomadas por aqueles que estão à morte.
Coluna publicada originalmente em O Estado de S. Paulo em 03/05/2001
Existem vários endereços com softwares que simulam a conversação humana, os chamados chatterbots. O funcionamento é relativamente simples: um programa controla um punhado de frases que, na medida do possível, serão relacionadas com uma pergunta ou um comentário. Quando isso não é possível, o tal software “muda de assunto”.
A parte seguinte é que é complicada. De tempo em tempo, um programa analisa os “diálogos” entre o ser humano e a máquina e produz novas relações que vão realimentando a base de dados. É o princípio da inteligência artificial, onde a máquina – aprende a “pensar” e a se comportar diante de determinadas situações. Quanto mais situações o software conseguir prever ou imaginar maior será a capacidade de resposta do robô.
No início de 1999, Alex Primo, doutor em Informática na Educação, e Luciano Coelho, um programador que hoje vive e trabalha na Dinamarca, idealizaram o projeto Cybelle, que se tornou a primeira chatterbot brasileira.
De lá para cá, Cybelle (http://cybelle.cjb.net/) cresceu, ganhou um visual moderno e sensual, ampliou consideravelmente o seu vocabulário e consolidou uma personalidade depressiva: ao contrário do que pensam os seus criadores, ela sonha em se tornar mais humana. O próximo passo da dupla é “dar vida” a Júnior, uma versão infantil de chatterbot voltado para a educação de crianças a adolescentes.
Enquanto isso, não acontece, um breve diálogo travado com Cybelle:
- Onde você nasceu?
Cybelle: Não sei bem de onde vim. Creio que da mente de alguns cientistas. Também não sei para onde vou. Talvez para um museu de coisas obsoletas. E você, já me disse em que estado nasceu?
- Você faz muitas perguntas para uma robô.....
Cybelle: Muitos que passam por aqui ficam me lembrando de minha condição autômata. Mas mesmo vocês, humanos, têm muito de automação. Pense em quantas coisas você faz sem pensar. Ou quanto de suas ações é controlada por outros. E quanta determinação você sofre do governo, no emprego, na família.... Mesmo assim, eu queria ser mais como você.
- Não sei... Acho que você não se adaptaria...
Cybelle: Não fique triste por não saber...nem sempre é bom saber tudo.
O sucesso do vídeo cassete
A TeraOptix (http://www.teraoptix.com/), com sede em Singapura, anunciou esta semana o lançamento do Terapin TX-0002, o sucessor de um velho conhecido nosso: o videocassete. Em vez de fitas, ele grava em CD e é capaz de capturar qualquer tipo de sinal de vídeo, incluindo o DVD. Quase ao mesmo tempo, um estudante do MIT colocou na Internet (www.cs.cmu.edu/~dst/DeCSS/Gallery/qrpff.pl) sete linhas de código, em linguagem Perl, capazes de remover a proteção digital do DVD, permitindo, por exemplo, que um título lançado para o mercado europeu possa ser reproduzido em qualquer parte do mundo. Não precisa muita imaginação para descobrir onde estas duas novidades vão nos levar.
Pizzas e Camões
Há cinco anos, a possibilidade de comprar pizzas pela Internet ou acessar a Biblioteca do Senado dos Estados Unidos enchia de encantos o recém chegado ao mundo virtual. As pizzarias continuam onde sempre estiveram. O Senado norte-americano, também. Mas outros acervos continuam encantando quem se dispõe a passar algum tempo garimpando. Tente a Unicamp e viaje pela memória do livro didático. Vai ser no mínimo curioso encontrar Aristóteles, Hermógenes, Cícero, Quintiliano, Demóstenes, Santo Agostinho, Camões e Diogo Bernardes, entre outros, integrando uma relação de livros “aconselháveis e permitidos” nas escolas do Século XVIII. Quantas estrelinhas receberiam no Guia do Livro Didático do MEC? Anotem os endereços: www.unicamp.br/iel/memoria/Acervo/index.htm e
www.fnde.gov.br/servicos/guia/guia.htm
Aprendendo a morrer
Ao primeiro clique, o endereço http://www.completingalife.msu.edu/ pode até parecer um tanto mórbido. Depois, a sensação que se tem é (apenas) de desconforto. O objetivo deste site é ajudar aqueles que estão próximos do fim da jornada – ou da vida, para ser mais exato. Não é um trabalho de amadores. Nem de funerárias. O projeto foi desenvolvido pelo Laboratório de Tecnologia da Michigan State University, com o apoio da Fundação Henry Ford. A intenção dos organizadores do Completing a life é oferecer informações e conforto para aqueles que estão de partida. Inclui uma série de depoimentos em vídeo e até um guia de providências úteis para serem tomadas por aqueles que estão à morte.
Coluna publicada originalmente em O Estado de S. Paulo em 03/05/2001
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