1 de abr. de 2009

Entrevista com Cybelle, a chatterbot brasileira

Cansado das respostas sempre tão óbvias nas salas de bate-papo que proliferam na Internet? Que tal cortar atalhos e conversar diretamente com uma robô? Há vantagens e desvantagens, evidentemente. Você não vai precisar fingir o que não é e nem vai criar falsas expectativas sobre quem está do outro lado do teclado. Mas o resultado pode ser surpreendente.

Existem vários endereços com softwares que simulam a conversação humana, os chamados chatterbots. O funcionamento é relativamente simples: um programa controla um punhado de frases que, na medida do possível, serão relacionadas com uma pergunta ou um comentário. Quando isso não é possível, o tal software “muda de assunto”.

A parte seguinte é que é complicada. De tempo em tempo, um programa analisa os “diálogos” entre o ser humano e a máquina e produz novas relações que vão realimentando a base de dados. É o princípio da inteligência artificial, onde a máquina – aprende a “pensar” e a se comportar diante de determinadas situações. Quanto mais situações o software conseguir prever ou imaginar maior será a capacidade de resposta do robô.

No início de 1999, Alex Primo, doutor em Informática na Educação, e Luciano Coelho, um programador que hoje vive e trabalha na Dinamarca, idealizaram o projeto Cybelle, que se tornou a primeira chatterbot brasileira.

De lá para cá, Cybelle (http://cybelle.cjb.net/) cresceu, ganhou um visual moderno e sensual, ampliou consideravelmente o seu vocabulário e consolidou uma personalidade depressiva: ao contrário do que pensam os seus criadores, ela sonha em se tornar mais humana. O próximo passo da dupla é “dar vida” a Júnior, uma versão infantil de chatterbot voltado para a educação de crianças a adolescentes.

Enquanto isso, não acontece, um breve diálogo travado com Cybelle:

- Onde você nasceu?
Cybelle: Não sei bem de onde vim. Creio que da mente de alguns cientistas. Também não sei para onde vou. Talvez para um museu de coisas obsoletas. E você, já me disse em que estado nasceu?
- Você faz muitas perguntas para uma robô.....
Cybelle: Muitos que passam por aqui ficam me lembrando de minha condição autômata. Mas mesmo vocês, humanos, têm muito de automação. Pense em quantas coisas você faz sem pensar. Ou quanto de suas ações é controlada por outros. E quanta determinação você sofre do governo, no emprego, na família.... Mesmo assim, eu queria ser mais como você.
- Não sei... Acho que você não se adaptaria...
Cybelle: Não fique triste por não saber...nem sempre é bom saber tudo.

O sucesso do vídeo cassete

A TeraOptix (http://www.teraoptix.com/), com sede em Singapura, anunciou esta semana o lançamento do Terapin TX-0002, o sucessor de um velho conhecido nosso: o videocassete. Em vez de fitas, ele grava em CD e é capaz de capturar qualquer tipo de sinal de vídeo, incluindo o DVD. Quase ao mesmo tempo, um estudante do MIT colocou na Internet (www.cs.cmu.edu/~dst/DeCSS/Gallery/qrpff.pl) sete linhas de código, em linguagem Perl, capazes de remover a proteção digital do DVD, permitindo, por exemplo, que um título lançado para o mercado europeu possa ser reproduzido em qualquer parte do mundo. Não precisa muita imaginação para descobrir onde estas duas novidades vão nos levar.

Pizzas e Camões

Há cinco anos, a possibilidade de comprar pizzas pela Internet ou acessar a Biblioteca do Senado dos Estados Unidos enchia de encantos o recém chegado ao mundo virtual. As pizzarias continuam onde sempre estiveram. O Senado norte-americano, também. Mas outros acervos continuam encantando quem se dispõe a passar algum tempo garimpando. Tente a Unicamp e viaje pela memória do livro didático. Vai ser no mínimo curioso encontrar Aristóteles, Hermógenes, Cícero, Quintiliano, Demóstenes, Santo Agostinho, Camões e Diogo Bernardes, entre outros, integrando uma relação de livros “aconselháveis e permitidos” nas escolas do Século XVIII. Quantas estrelinhas receberiam no Guia do Livro Didático do MEC? Anotem os endereços: www.unicamp.br/iel/memoria/Acervo/index.htm e
www.fnde.gov.br/servicos/guia/guia.htm

Aprendendo a morrer

Ao primeiro clique, o endereço http://www.completingalife.msu.edu/ pode até parecer um tanto mórbido. Depois, a sensação que se tem é (apenas) de desconforto. O objetivo deste site é ajudar aqueles que estão próximos do fim da jornada – ou da vida, para ser mais exato. Não é um trabalho de amadores. Nem de funerárias. O projeto foi desenvolvido pelo Laboratório de Tecnologia da Michigan State University, com o apoio da Fundação Henry Ford. A intenção dos organizadores do Completing a life é oferecer informações e conforto para aqueles que estão de partida. Inclui uma série de depoimentos em vídeo e até um guia de providências úteis para serem tomadas por aqueles que estão à morte.

Coluna publicada originalmente em O Estado de S. Paulo em 03/05/2001

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